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Agenda de cursos do segundo semestre de 2024

Em breve o ano acaba, mas antes disso ainda dá tempo de fazer um monte de coisa. Se quiser minha companhia, veja por onde devo estar.

Setembro. O último curso do ano de construção de plainas ficou para os dias 7 e 8/9, no ateliê do Brooklin. A carga horária é de 16 horas de muita diversão usando plainas, serrote, grosas, limas, raspilha e furadeira. Essa é inclusive a lista de ferramentas que pode trazer para usar, mas caso não as tenha eu empresto (e você experimenta usar ferramentas boas e bem ajustadas). O valor da inscrição é R$1.300. Para garantir seu lugar é só mandar uma mensagem. E caso prefira fazer o curso no seu ritmo e em sua oficina, o curso online segue disponível em https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/construcaodeplainas/G54624192K

Nos dias 14 e 15/9 estarei no Sesc São José dos Campos com um curso de inspiração Shaker. Juntos vamos fazer um pequeno armário, todo de Pinus spp. e pregado com pregos históricos (cortados e em cunha, não de arame), buscando entender que o que faz algo ter presença e qualidade é o trabalho, o cuidado e a intenção. Para conferir esse projeto você pode clicar aqui. As inscrições são por conta do Sesc, acompanhe a divulgação do curso nos canais deles (revistinha, site, Instagram).

Em 21 e 22/9 retorno ao Sesc São José para um curso sobre Acabamentos Históricos, no qual vamos discutir os prós, contras e formas de aplicação das ceras, dos óleos e da goma laca. Inscrições diretamente com o Sesc.

Outubro. O curso comigo e o Hernán sobre as plainas tradicionais já está com vagas esgotadas (ele vai trazer dois cantis como esse da foto para vender e um já é meu, viva!) mas ainda há cursos com vagas disponíveis. Só que não posso falar muito ainda sobre esses cursos. Apenas que vão acontecer em uma unidade do Sesc próxima da sua casa (ou não). O que sim, posso afirmar, é que um desses cursos vai tratar da construção de uma bancada estilo Nicholson (referências aqui, aqui e aqui). O outro vai ser uma orientação para que você possa remover os obstáculos técnicos que te impedem de realizar os projetos que deseja em madeira maciça. Poderemos abordar afiação, encaixes, acabamento, restauração de ferramentas, preparação da madeira com ferramentas manuais, etc. Um curso com um pouco de tudo, como a Mesbla…

Novembro. Os encaixes tradicionalmente mais empregados na marcenaria vêm com tudo. Levei para a Forjaria Escola a proposta que já fiz ano passado de examinar com atenção as características e diferentes modos de execução dos encaixes de meia madeira, caixa e espiga e rabo de andorinha através da construção de projetos independentes. Em 23 e 24/11 a proposta é aprender sobre a meia madeira fazendo um curtamão, esquadro de grandes dimensões que é tanto bonito quanto útil. Mais informações e inscrições direto no site da Forjaria Escola.

Dezembro. Não saia de férias antes de confiar que sua caixa possa se ajustar a qualquer espiga. Ou vice versa. James Krenov gostava de usar cavaletes na oficina que além de bonitos são muito práticos. Você pode ler sobre eles aqui. Nos dias 7 e 8/12 vamos fazer um desses cavaletes lá na Forjaria. Você leva a madeira para fazer o segundo e completar o par.

Janeiro. Comece o ano com uma caixa de ferramentas nova toda feita com rabos de andorinha. Para dar tempo de se recuperar dos excessos da ceia, jogamos o curso lá para o final do mês, em 25 e 26/1. Não costumo dar esses cursos com frequência, então cuidado para não perder o bonde. Inscrições direto com a Forjaria.

A sequência em 2025 promete. Devemos oferecer novamente o curso de construção de bancadas com o Matheus e o Rodrigo Silveira. Os cursos da banqueta alta, da cadeira e da poltrona estaqueada já estão no site da Forjaria (você já pode garantir sua vaga). Há uma possibilidade de curso de plaina no Sesc novamente. No ateliê é provável que aconteça apenas o de guilherme e do boquexim (corteché, corta-chefe, spokeshave, wastringue, bastrén, Schabhobel).

Fiquem ligados aqui e no Instagram para as novidades.

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Agenda de cursos 2024

Próximos cursos em 2024:

Curso Banqueta de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
23 e 24 de março

Uma introdução à construção de mobiliário de assento estaqueado, essa banqueta de três pernas aparece em The Anarchist’s Design Book (Revised Edition), de Christopher Schwarz, livro que já se transformou em um clássico. Vamos ver como afunilar e oitavar as pernas usando plainas, como furar o assento nos ângulos corretos, como fazer as travessas inferiores e como montar tudo para você levar para casa (ou para a oficina) uma bela banqueta. Mais importante ainda, você leva consigo conhecimentos para fazer outros móveis usando as mesmas técnicas e princípios.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/s%C3%A1b-23-e-24-03-curso-banqueta-de-madeira-thiago-endrigo

Construção de Plainas, na Oficina.cc, Belo Horizonte, Brasil
04 e 05 de maio
Uma das ferramentas mais importantes na marcenaria, a plaina tanto pode ser usada na preparação da madeira quanto para fazer encaixes e acabamentos. Tradicionalmente era feita pelo próprio artesão, que considerava o uso que lhe seria dado e a dotava muitas vezes de características pessoas. Um ferreiro-forjador normalmente fornecia a lâmina, situação que também vamos experimentar no curso.

Mais informações: https://oficina.cc/curso/construcao-de-plainas-28-e-29-de-janeiro/

Curso Cadeira de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
24, 25 e 26 de maio
Essa cadeira também é um projeto do Christopher Schwarz publicado em The Anarchist’s Design Book.  Além de belas fotos, o livro apresenta algumas pranchas gravadas por Briony Morrow-Cribbs, uma preciosidade que fizemos questão de destacar. Igualmente digna de destaque é a perspectiva sob a qual o livro foi escrito, ressaltando a potência da criatividade e do trabalho humano diante das armadilhas do consumismo e da preguiça mental. O texto defende com acidez e humor que podemos criar muitas das coisas, materiais ou imateriais, que necessitamos.

Como essa cadeira, inspirada em uma tradição vernacular na qual o mobiliário costuma ser produzido com os recursos à mão e por quem mesmo deverá utilizá-lo. Se nunca se arriscou na construção de um móvel mais complexo como uma cadeira esse curso pode ser para você. Se apenas quer uma cadeira bonita, feita por você, também.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/sex-23-24-e-25-05-curso-cadeira-de-madeira-thiago-endrigo-24-horas

Wooden Plane Making, The Woodworking School At Pine Croft, Kentucky, Estados Unidos
21, 22 e 23 de junho

Make your own Krenov-style wooden plane, the Brazilian way! In the words of James Krenov, the hand plane is the cabinetmaker’s violin. Much easier to handle than a violin, the plane sure has its mysteries and magical properties. Very useful in a wood shop for various processes, including making boards and panels flat and square, jointing boards for glue-up, adjusting joinery and even finishing, the plane offers an efficient and intimate connection to our favorite material. Building your own plane out of wood is within reach for everybody. In this class, we’re going to go over all the aspects of what makes a plane work well, from construction to setup and sharpening to how to deal with difficult grain. In the end, you will leave with a plane made by yourself to fit your hands and taste. And with enough knowledge to make many more. Special Brazilian woods like Jatoba and Imbuia will be provided for you to choose from.

Mais informações: https://pinecroftwoodschool.com/plane-building-thiago-endrigo/

Curso Poltrona de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
3 de julho, 01, 02, 03 e 04 de agosto

Diferente de outros tipos de mobiliário, normalmente feitos para conter coisas, uma cadeira oferece contenção a uma pessoa. É assim que Christopher Schwarz abre o seu The Stick Chair Book, publicado pela Lost Art Press e que pode ser adquirido em formato físico ou baixado gratuitamente em pdf aqui.

A poltrona (uma cadeira com braços) que nos propomos a fazer no curso pertence à tradição dos móveis estaqueados, devido às suas principais junções e à sua origem popular, sendo muitas vezes construída por marceneiros amadores. Entre as formas possíveis de classificar as cadeiras, um dos critérios diz respeito à estrutura do assento, sólido nesse caso e responsável por estruturar toda a peça. Outro critério interessante tem a ver com os processos de produção: enquanto algumas poderiam ser consideradas “de marceneiro” e outras “de cadeireiro”, a poltrona que vamos produzir pertence a um entre mundos, sendo tradicional, simples e produzida com muitas ferramentas às quais já estamos acostumados. Se quiser ouvir o próprio Schwarz falando sobre isso, assista: Bench Talk 101 Chris Schwarz “Chairmaking for flat woodworkers”

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/qua-31-de-julho-%C3%A0-dom-04-de-agosto-curso-poltrona-de-madeira-thiago-endrigo-40-horas

Curso: Garlopim com Hernán Costa (ARG), na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
16, 17, 18, 19 e 20 de outubro

O garlopim é uma plaina coringa. Como o nome indica, é aparentado à garlopa, mas menor que esta, tendo comprimento equivalente a uma plaina número 5 ou 6 de metal. Seu uso depende tanto de nossa intenção quanto de como preparamos a ferramenta: com uma boca mais aberta e um ferro (lâmina) afiado com curvatura acentuada, pode ser a primeira plaina a tocar a madeira, realizando o desbaste mais inicial; com a boca mais fechada e contraferro ajustado bem próximo ao fio pode ser a última plaina a ver a madeira, deixando um acabamento tinindo de lindo. 

Para construir o garlopim que você vai levar para casa nós vamos abordar técnicas mais tradicionais como o uso de furadeira e formão para escavar a garganta da plaina, o uso dos formões com precisão, diversas técnicas de aplainamento, além de confeccionar um cabo esculpido para cair bem na sua mão (com junção de caixa e espiga no cepo) e a cunha. Com os conhecimentos que adquire fazendo esse garlopim, além de se aperfeiçoar no trabalho com a madeira macica, você será capaz de produzir outras plainas, sejam menores como uma plaina de afagar ou maiores como uma garlopa.
Por seu notório saber e também para ampliar as redes de cooperação sul-americanas, recebemos com enorme satisfação o artesão argentino Hernán Costa para ministrar o curso em conjunto conosco. Português e espanhol, portanto, serão as línguas oficiais do encontro, uma perspectiva que nos aproxima e que amplia nossos horizontes no ofício.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/qua-16-10-%C3%A0-dom-20-10-curso-garlopim-thiago-endrigo-e-hern%C3%A1n-costa-40hs


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Um post sobre comida e plaina

Rosinha é cheia de planos. Thiago contou a ela que teria um dia de folga na semana, no meio das férias, e ela logo fez um “combinado”: “Pai, vou levar você conhecer a Japan House!“. Claro que topamos o convite! Eu já havia visitado o lugar uma porção de vezes, e particularmente, eu adoro. Gosto do ambiente, as exposições sempre são muito bonitas e interessantes e mais recentemente, adoro sentar no balcão do café e provar as delícias!

Vou abrir um parênteses aqui para contar um pouco mais da nossa paixão pelo Japão. Eu sempre gostei muito da culinária japonesa, desde pequena. Incentivada pelos meus pais, que também sempre se metiam a conhecer os mais tradicionais restaurantes da cidade. Quando conheci o Thiago, e ele me convidou para um primeiro encontro, eu sugeri ir numa Temakeria (que na época era a novidade!). Claro que ele também já tinha muito apreço pela cultura japonesa, principalmente pela tradição do trabalho com a madeira. Logo, começamos a assistir juntos todos os episódios disponíveis da série da NHK Begin Japanology no Youtube. É praticamente uma enciclopédia de tudo que você pode imaginar sobre o Japão. Abrange temas como “alergia ao pólen”, até os “bentôs” e “neve”.

Quando entro na Japan House sinto uma impressão muito forte e imagino que seja a mesma sensação de colocar os pés no Japão. É uma espécie de sensação que condensa algumas das características da cultura japonesa e que nos fazem sentir profundamente conectados a ela: o respeito às tradições, uma reverência aos ancestrais e uma ritualização da vida. Vejo isso nos mínimos detalhes sempre que vou lá.

Essas características estão muito presentes na comida. Dessa vez, no café da Japan House, resolvi provar um matcha latte com calda de frutas vermelhas. Antes de nos sentarmos ali, vimos uma exposição sobre o chá e claro que fiquei com água na boca para provar um matcha. Como fazia muito calor, pedi a versão gelada. A espera no balcão minuciosamente limpo, com tudo muito organizado, já me dá uma certa aura especial. A bandeja chega com pequenos recipientes, todos muito simples e bonitos. Misturei o matcha no leite gelado com a calda no fundo do copo. Cores lindas! Misturei tudo, dei o primeiro gole e achei que iria odiar. Mas eu amei. Tive vontade de tomar tudo de uma vez, o que frequentemente faço com bebidas. Mas o ambiente me convidou a apreciar. Gole por gole. Que delicioso! Me lembrei da sensação de descobrir coisas novas e de como isso é bom. Geralmente esse sentimento vem mais em viagens, e há quatro anos sendo mãe, depois de uma pandemia e um desgoverno brutais, essa sensação me deu uma alegria silenciosa e calma, mas muito boa. E como é bom poder viajar dentro da minha própria cidade!

Outro pensamento me invade: a experiência de comer está muito atrelada ao ambiente também. Poder provar um matcha naquele espaço tem outro sabor do que se estivesse em casa. Definitivamente comer não é só sobre se alimentar.

Depois daquela experiência eu queria mais: fomos para a Liberdade – o bairro japonês de São Paulo. Depois de umas entradinhas no Izakaya Kintaro, partimos para o Izakaya Issa. E lá, mais uma vez no dia, provei algo novo. Pedimos takoyaki, bolinhos recheado de polvo e servido com lascas de peixe bonito, o katsuobushi, por cima. Eu já havia visto diversos vídeos das lascas de bonito se movimentando por cima de takoyaki ou okonomiyaki pela internet afora, mas mesmo assim foi impressionante ver ao vivo. Por conta da espessura tão fina, as lascas acabam se movimentando com o calor, dando a impressão que algo ali está vivo! Poder compartilhar esse momento com a Rosinha foi tão prazeroso quando o sabor da comida! Ela ficou eufórica com o “bicho que se mexia”. Ficou hesitando, deu vários gritinhos de medo e por fim provou e amou! Muito corajosa!

E finalmente, chego ao tema desse post. Katsuobushi. É, eu havia pensado em escrever sobre esse alimento aqui, pois a sua produção é muito intrigante. O peixe bonito é desidratado, fermentado e defumado num processo de preservação tão incrível, que o produto final é tão duro quanto a madeira. Impossível cortar com faca e por isso é servido em lascas ou raspas. E adivinha qual ferramenta é utilizada para isso? Sim! Uma plaina, muito parecida com as dos marceneiros. Até as lascas se parecem muito com os cavacos de madeira. O nome desse utensílio é kezuriki. Encontrei esse artigo dando muitos detalhes de como se cortar corretamente o katsuobushi: https://thejapanesefoodlab.com/shave-katsuobushi/

Na verdade mesmo, eu não queria falar somente do peixe bonito. Nessas férias, nós também nos deparamos com outra comida feita com plaina. Será que vocês já sabem o que é? Comprei uma raspadinha na praia do Guarujá pra Rosa só pra ela ver o moço usando a plaininha de metal que raspa o gelo. Fiquei super curiosa pra descobrir de onde veio essa invenção e fui atrás da história dessa sobremesa gelada. E não é que encontrei várias referências ao kakigori, a raspadinha japonesa? Dizem que é fabricada desde o século VI, olha só! Mas não encontrei referência a serem feitas com nenhuma ferramenta específica ou parecida com a plaina, como a que encontrei feita na praia. Na verdade, existem umas fotos de máquinas de raspar gelo decoradas e bem bonitas. Nunca iria imaginar essa conexão… mas fiquei ainda mais intrigada. Será que existe alguma outra comida feita com plainas? Se souber, me conta aqui nos comentários!

Ah, o próximo curso de plaina do Saber com as Mãos será uma surpresa!! Aguardem as novidades!!

Mas você também já pode se inscrever no curso confirmado para outubro. Confere lá no site da Forjaria Escola e garanta sua vaga!

Lembrando que o curso online está sempre aberto e disponível para compra aqui no nosso site.

Mais Referências:
Palestra Katsuobushi: técnica que atravessa séculos e oceanos realizada em junho de 2023 na Japan House:
https://www.youtube.com/watch?v=FGGgGxdH9oA

Vídeo de vendedor de raspadinha na praia:
https://www.youtube.com/watch?v=Aq4qk1VtgXI

Vídeo de vendedor de kakigori com máquina manual:
https://www.youtube.com/watch?v=UMvd1UnyU4I

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Diário de Viagem Educação

Poltrona Estaqueada

Em agosto de 2023 tivemos a oportunidade de participar do curso “Stick Chair” Na Lost Art Press com Chris Schwarz. Foi uma oportunidade incrível que compartilhamos um pouco nesta live no nosso canal no Youtube:

Após fazer o curso com o Chris, me parecia natural que o primeiro curso aqui sobre esses móveis estaqueados acontecesse na Oficina Damata do Thiago, de forma que também fosse possível aprender com sua experiência e pesquisa. Decidimos ensinar essa poltrona da foto, presente no livro The Anarchist’s Design Book. São poucas vagas e cada um sai com uma poltrona dessas para levar para casa. Nos dias 11, 12, 13, 14 e 15 de em Goiânia/GO. Mais informações e inscrições: clique aqui.

Há uma bolsa disponível para esse curso. Se por alguma razão você gostaria de participar mas não tem como, mande um e-mail para sabercomasmaos@gmail.com contando qual é o impedimento, por que gostaria de fazer o curso e qual é sua experiência com marcenaria.

Aproveitando a passagem por Goiânia, também ministrarei o Curso de Plainas nos dias 09 e 10 de dezembro. Não perca a oportunidade! Mais informações: clique aqui.

Fotos tiradas por Thiago Endrigo. Todos os direitos reservados.