Categorias
Educação

A marcenaria com crianças

A data passou batida, mas ano passado comemorei 10 anos dando aulas de marcenaria para crianças. O acontecimento merecia comemoração, já que marceneiros e professores são um pouco como domadores de leões, se você permanece vivo após tanto tempo quer dizer que deve fazer seu trabalho direito. Além de tudo, o início das aulas para crianças coincide com a própria fundação do Saber com as Mãos e permanece como uma das atividades mais relevantes que realizamos.

O caminho foi simples: após alguns anos dedicados a ofícios em declínio (em especial, à organaria), tendo a chance de aprender as técnicas tradicionais de mestres importantes, ficou claro que compartilhar o que eu havia tido a sorte de aprender era fundamental. Soma-se a essa preocupação o fato de dividir a vida com uma educadora e vir de uma família de professores, outro fazer ameaçado. Decorreu disso a tarefa de pensar o lugar dos ofícios na educação, algo que de saída já traz a lição principal: num ofício, pensar e fazer não estão dissociados. Pela forma como o mundo se configura hoje, é comum nos acostumarmos a diversas desconexões, seja de nós mesmos, do fruto de nosso trabalho ou da natureza. É comum, também, que sempre que o essencial comece a escoar para fora do cotidiano que a escola seja chamada a suprir essa falta. Tamanho fardo, mas quem sabe, antídoto também. Foi assim com o slöjd nos países escandinavos: a partir do momento em que a sociabilidade foi perturbada pela industrialização, com a diminuição da convivência generacional, o slöjd educacional surgiu, operacionalizando uma didática mão na massa (na madeira, melhor dito) que tanto buscava inculcar lições morais quanto compreendia que o desenvolvimento de uma pessoa (desenvolvimento intelectual, inclusive) depende de seu engajamento no mundo, do trabalho dito manual, das conexões que conseguimos estabelecer entre ação e pensamento.

Estou tentando apontar nesses curtos parágrafos que reconhecer a relevância do fazer na vida humana, para além da educação, é fundamental, mas ao mesmo tempo busco ressaltar que o profundo interesse e a preocupação pelo ofício é outro aspecto central de nossa atividade pedagógica. As aulas com as crianças são de marcenaria, não de qualquer outra coisa. Esta não é um artifício que sirva a outro propósito, senão o próprio campo de interesse e investigação que percorremos com as crianças. O aspecto biográfico é incontornável – eu trabalho com madeira –, no entanto ele revela um dos atos educativos mais potentes: é ofertando algo verdadeiramente de si que nos tornamos capazes de apresentar o mundo e acompanhar as descobertas de alguém. O motor é sempre esse mesmo, as descobertas que as crianças fazem sobre a natureza da madeira, sua beleza intrínseca e as maneiras de intervir para revelá-la, empregando criatividade, esforço, paciência ou o que mais seja necessário para poder fazer o que se quer. No caso das aulas que conduzo, cada aluno é convidado a imaginar uma coisa e então a construí-la. O percurso é interessante, todo mundo se depara com os desafios de tirar uma ideia da cabeça e de trazer algo ao mundo, buscando compreender o que faz falta saber e que habilidades precisam adquirir. Estou convencido de que o ofício contém tudo. Se formos parar para fazer um exercício de sistematização, vamos nos dar conta que em uma única e simples aula, uma criança pode se deparar com noções de física, biologia, química, geometria, aritmética, linguagem e até educação física, com a grande vantagem, a meu juízo, de todos esses campos do saber comparecerem integrados e não separados do que está acontecendo. A gente aprende até sobre si, quando se pergunta no meio do processo de construção: será que quero o que desejei? Em outras palavras, querer algo é moleza, mas sustentar o processo, com todos seus desafios e frustrações até a ideia poder se materializar na sua frente, é outra história.

Em tempos de IA e satisfações instantâneas, ao deslizar do dedo sobre uma tela, parece que estamos na contramão dos tempos. E certamente estamos. Ao propor para alguém que faça algo ao invés de comprar, talvez escapemos a um imediato e quase irresistível consumismo. Ao transformar a madeira usando uma ferramenta manual, por excelência algo pensado como uma extensão da mão humana, podemos nos conectar com nossas potencialidades, sabendo que uma habilidade bem desenvolvida é algo que nunca podem tirar de nós. O contato mais próximo com a madeira, um recurso que tomamos do mundo, revela que somos aparentados a ela, que também pertencemos, de alguma maneira, ao mundo natural, já que há formas de criar cultura que não prevêem sua dominação cúpida e sem fim. A conexão com o passado também é evidente, pois descobrimos com grande humildade o trabalho primoroso feito por pessoas que vieram antes de nós, que as técnicas que desenvolveram possuem uma inteligência prática à qual apenas almejamos e que nos permite criticar o novo como um valor (ao invés de criação inspirada). Em suma, a inadaptação é sinal de saúde e prenúncio de dias melhores. Ou ainda, como disse melhor que eu o Bruce Metcalf em The Hand: at the heart of craft:

“O trabalho manual cria significado, não apenas coisas físicas. Oferece trabalho não alienado, um senso de propósito, uma comunidade e um caminho para o crescimento. Para quem não se contenta com as respostas prontas que a nossa sociedade oferece – ser um bom consumidor; ser um bom cristão; ser um bom soldado; ou qualquer outro papel prescrito – o trabalho manual abre um mundo de autorrealização significativa e um caminho para uma vida bem vivida.”

Mas se o fazer tem tanta importância, como é que passamos tão pouco tempo fazendo coisas com as crianças? Os pais da maior parte dos meus alunos não têm mais ferramentas, não costumam fazer reparos pela casa nem cozinham com as crianças por perto. E nem brincam. A vida é corrida e pagar as contas não tá fácil, eu sei. Também há tantas facilidades hoje em dia. Queria encerrar esse breve texto citando a Giulia Ciavatta, que já escreveu no blog do Saber com as Mãos sobre a marcenaria com crianças:

“(…) o último ponto que queria trazer aqui é o sentimento. Se você já fez algo com as suas próprias mãos (um almoço gostoso pra sua família, uma colher de madeira, um cachecol de tricô, um vaso de barro, uma boneca de pano…) sabe o que é terminar algo, olhar e dizer: ‘eu que fiz!’. Esse sentimento mágico, transformador, empoderador e feliz.”

Às vezes ouvimos a pergunta, “o que você faz da vida”, indicando qual seria a nossa ocupação. Mas às crianças costumamos perguntar: “o que você quer ser quando crescer”, também indicando a ocupação sonhada ou imaginada. Quem sabe não podemos apreender do ofício que é possível fazer da vida o que se é.

Categorias
Educação

Agenda de 2026 (até agora)

Ainda há muita indefinição, com vários compromissos acordados mas não completamente confirmados. Isso é o que temos até agora.

Janeiro. Fortaleza (CE). Marcenaria Selvagem. Cadeira Anarquista (a cadeira que o Christopher Schwarz desenhou para seu Anarchist’s Design Book), uma excelente introdução aos móveis estaqueados. Dias 16, 17, 18/1. Inscrições com o Emanuel através de mensagem no Instagram. R$2.800.

Fevereiro. São Paulo (SP). Há uma série de atividades previstas em torno dos Shakers, com uma palestra sobre aspectos de sua história e cursos sobre a construção de uma cadeira de balanço e uma vassourinha de mão. Ainda aguardo a confirmação do Sesc, acompanhe nosso Instagram para ficar por dentro!

Março. São Paulo (SP). Mais Shakers! E mais informações que ainda não posso divulgar e vou ficar devendo, mas há uma boa chance de repetirmos o curso sobre o banquinho. Em um Sesc.

Na Forjaria Escola teremos o Caixa e Cravos mais uma vez! É um curso que adoro dar, de manhã forjamos pregos que usamos à tarde para montar uma caixa de ferramentas inspirada nas tradicionais caixas japonesas. Desta vez me acompanhará na instrução El Rey del Cuchillo Vikingo, Felipe Cressoni. Dia 7/3, R$760.

Abril. São Paulo (SP). Banqueta Anarquista na Forjaria Escola. Outro projeto do Anarchist’s Design Book (Schwarz), outra bela introdução a um modo acessível de construir móveis resistentes e bonitos. É diferente da cadeira pois tem só 3 pernas, fazemos as espigas cilíndricas e instalamos travessas nas pernas, o que deixa o curso interessante. Dias 11 e 12/4, R$1.800.

Há espaço na agenda para uma viagem. Mais indefinição e mistério…

Maio. São Paulo (SP). Cadeira Anarquista na Forjaria Escola. Descrição do curso no site da Forjaria. As inscrições são por lá também, é possível parcelar o pagamento e há bolsa disponível para todos os meus cursos na Forjaria. No momento em que escrevo essas linhas restam apenas 2 vagas para esse curso.

Junho. Em aberto… Uma possibilidade é promover o curso de construção de garlopa (com o convidado especial de honra, Hernán Costa), outra é tentar oferecer novamente o curso da poltrona estaqueada (stick chair). Ambos tiveram que ser cancelados em 2025 por inscrições minguadas, o que sempre é delicado para quem vive mês a mês (não, a vida de artesão e professor não é tão glamorosa quanto parece). Se tiver interesse em algum desses cursos me dê um alô. Também estou devendo um curso de baú de ferramentas. E outro sobre objetos cênicos de filmes que gosto. Enfim, sou todo ouvidos…

Julho. Carolina do Norte, EUA. Curso de construção de plainas na John C. Campbell Folk School. Um dos meus lugares preferidos no mundo. Conheci a escola em 2023, quando tive a sorte de ganhar uma bolsa para um curso de tanoaria com Rick Stewart (neto do Alex Stewart). Depois do curso o pessoal da escola me pediu para contar um pouco sobre essa experiência (ver imagem abaixo). Bolsas são comuns por lá, assim como em outras Folk Schools e escolas de ofícios, vale a pena tentar. Agora me convidaram para dar o curso de plainas, uma alegria! De 12 a 18/7, $870.

Colorado, EUA. Vou repetir o curso de plainas na oficina do Robbie O’Brien. Foi onde gravei o curso online em inglês, disponível pela Lutherie Academy. Como o público tende a ser um pouco mais específico por lá, formado por pessoas que se dedicam à luteria, nós vamos fazer o curso em 3 dias, com a possibilidade de construir uma plaina e um corteché (ferramentas feitas artesanalmente são tão legais quanto instrumentos feitos artesanalmente).

Paralelamente, ainda tento organizar minhas pesquisas e produção (há anos tento…), continuo com as aulas nas escolas três dias por semana e no ateliê, em dois dias. Eu e a Giulia estamos organizando uma aula online sobre o olhar que fui constituindo para o trabalho de marcenaria com crianças em diálogo com a perspectiva pedagógica originada em Reggio Emilia, mas isso e os demais desafios previstos para o ano são assunto de outro post, porque mistério sempre há de pintar por aí.

Categorias
Educação

Acontecimentos passados e futuros (e agradecimentos)

É difícil fazer algumas coisas quando se perde a prática. Escrever parece ser uma delas. Há algum tempo não publicamos nada aqui no blog, culpa da rotina triturante e do fato da escrita, para mim, não fazer parte dessa rotina (não cabe mais nada na rotina). Em 2025 estive em Franca, interior de São Paulo, para um curso de bancada de marcenaria que fez parte dos festejos de inauguração do Sesc por lá. Fui duas vezes a Buenos Aires, Argentina, para cursos sobre cadeiras, em janeiro e outubro. Fui mais duas vezes ao Rio de Janeiro, em abril (curso de plainas) e dezembro (cadeiras). Finalmente, conheci a Cidade do México em julho, também ensinando a fazer cadeiras (para 14 pessoas!). Além de tudo isso, consolidamos o trabalho em uma escola nova (Avenues), tivemos 80 (!) alunos na Graded (onde dou aulas de marcenaria desde 2017) e continuei recebendo adultos e crianças interessados em trabalhar com madeira no ateliê. 

E ainda faltou falar da Forjaria Escola, lá teve o curso da banqueta e da cadeira anarquista, rabo de andorinha e banco de tanoeiro. Ajudei a concretizar a vinda do Maurício Kolenc, do Uruguai, que deu aula de tornearia e a volta do Hernán Costa, da Argentina. Rolou o famoso curso de bancada com o Rodrigo Silveira. No Instituto Léo dei o curso de graminho. Fora Franca, teve curso de plainas no Sesc Carmo, Xiloteca Lúdica no Sesc Santana, banquinho Shaker e Acabamentos Históricos para Madeira no Sesc Belenzinho.

Queria escrever sobre as atividades que aconteceram nesse ano para tentar elaborar um pouco tudo o que passou, foi um ano muito intenso de trabalho, mas também para não deixar passar o agradecimento a todo mundo que se animou a fazer isso possível. A colegas, família e alunos, meu muito obrigado pelos momentos bonitos, as interações vivas, as realizações e os aprendizados, coisas que num mundo cada vez mais inóspito fazem a diferença. Aos companheiros do Cheio de Dedos, um podcast firme como prego na areia, obrigado por aturarem minhas diatribes (nos bastidores) e intervenções desarrazoadas.

Ano que vem promete muito trabalho, desafios e surpresas… Enquanto não chega, ficam aqui algumas fotos de 2025.

Categorias
Educação

Agenda de 2025 (por enquanto)

Finalzinho de ano é hora de anunciar os planos para o futuro, mas antes disso queríamos agradecer por tudo o que aconteceu em 2024. Giulia esteve em abril em Reggio Emilia, na Itália, aprofundando-se na concepção de mundo, infância e educação que se desenvolveu por lá no pós-guerra. O que aconteceu participa do que acontece, mas a imbricação de passado em presente não é linear, nem determinada a priori. O modo como selecionamos aspectos e os transformamos informa muito sobre nossas próprias concepções e intenções, sejam elas conscientes ou não. Você pode acompanhar um pouco da pesquisa da Giulia sobre a recepção de Reggio Emilia por aqui e a relação dessa perspectiva com outras locais (a rede municipal de ensino de São Paulo é de uma potência e qualidade impressionantes) seguindo https://www.instagram.com/giuliaciavatta_/ Para 2025 também está previsto um Grupo de Estudos online do livro “Diálogos com Reggio Emilia”, de Carlina Rinaldi. Para saber mais e se inscrever clique no link: https://forms.gle/BTsuKb3tfQ5BNMps8

Eu (Thiago) estive de volta aos EUA em junho para dar o curso de plainas em https://pinecroftwoodschool.com/, a primeira vez que dei aula de marcenaria fora do Brasil. Essa escola surgiu quando Berea College, uma das poucas universidades gratuitas dos gringos, comprou e passou a administrar a antiga escola do Kelly Mehler. Os artigos e vídeos do Kelly foram muito importantes na minha formação inicial e seu livro sobre a serra circular (table saw) ainda é fonte de consulta. Na sequência, fui até o estado do Colorado a convite do Robbie O’Brien para filmar o curso de construção de plainas para a Lutherie Academy, que deve sair no início de 2025. Esse curso online é uma versão ampliada e em língua inglesa do curso que temos disponível na plataforma Hotmart (o valor do curso em português ainda é o de lançamento, estamos segurando o reajuste).

Sei que estamos em dívida aqui com o blog, esperamos contar mais sobre as viagens, pesquisas e demais acontecimentos assim que possível. Enquanto isso, quem quiser estar conosco pode conferir as seguintes atividades:

Ainda em dezembro tem curso de marcenaria para crianças e adultos. Dia 14/12 estarei com meu amigo Rodrigo Silveira em sua oficina, na Barra Funda, para dar novamente o curso do banquinho de 3 pés. A primeira edição foi muito legal, então aproveita porque as vagas são limitadas e não é sempre que conseguimos oferecer esse curso. Dou aula de marcenaria para crianças desde 2015 (há quase 10 anos!) mas sempre a experiência é estimulante e viçosa, apresentando desafios e alegrias frescas, um bálsamo para a alma (e o corpo também, apesar de já ficar doído acompanhando a energia infantil). As inscrições podem ser feitas por mensagem no Instagram para o Rodrigo ou usando o formulário de contato aqui do site. Dia 14/12, das 14h às 18h, R$ 680 (para um par de adulto + criança).

Janeiro. Logo no começo do ano partimos para Buenos Aires. Após a visita do Hernán Costa à Forjaria Escola, em outubro, para dar o curso do garlopim, é minha vez de ir para lá dar um curso de cadeira estaqueada. O curso é especial porque vou conhecer o ateliê do Hernán e porque foi em Buenos Aires que redefini o rumo da minha vida resolvendo me dedicar integralmente a um ofício. Ainda há vagas para os dias 17, 18 e 19/1 (a outra turma já lotou), então se quiser férias especiais não espere sentado (faça antes uma cadeira!).

Foto: Gui Siqueira

Fevereiro. O mês promete com um curso de plainas em um Sesc pertinho de você (ou não, não sei onde você mora). Ainda não podemos divulgar todas as informações, então acompanhe o Instagram (enquanto não abandonamos essa praga) para saber das novidades.

Meus cursos sobre os encaixes principais da marcenaria foram para a Forjaria Escola. Você pode fazer qualquer uma dessas propostas como aluno regular do ateliê, no seu ritmo e horários preferidos. A ideia do curso de fim de semana é concentrar toda a informação, deslocamentos e esforço numa tacada só, o que pode ser interessante para algumas pessoas. Os encontros dedicados ao encaixe de meia madeira e de caixa e espiga caíram em 2024, rabo de andorinha pulou para os dias 8 e 9/2/2025. Mais informações no link.

Em fevereiro (e março) também vamos oferecer novamente o curso de construção de bancadas com o Rodrigo Silveira. Já temos as datas, é facinho lembrar: 15, 16, 22 e 23 de fevereiro e 15, 16, 22 e 23 de março. São quatro fins de semana, pulando o Carnaval (mais um chorinho). Cada um faz e leva para casa uma bancada com duas morsas. É muito trabalho, mas vale a pena.

Bancada feita por Thiago Silvestrini. Foto dele.

Abril/Maio/Junho. Nesses meses ocorrem os cursos de banqueta, cadeira e poltrona estaqueada na Forjaria. Clique nos links para mais informações, inclusive sobre a possibilidade de bolsas integrais.

Há mais acontecendo, como sempre. Em abril o curso de plaina volta ao Rio de Janeiro (vagas esgotadas, não deu tempo de anunciar, mais edições em breve). As aulas regulares no ateliê do Brooklin continuam, para adultos e crianças, juntos ou separados. O pessoal vem e vai, então (quase) sempre há horários novos com vagas. Se não houver vagas há uma lista de espera. Para mais informações é só mandar mensagem, email ou aparecer para um café no Mission Chocolate. Nas férias de julho vem a Mega Feira e uma participação conjunta, histórica, implacável e concupiscente do famoso podcast Cheio de Dedos pode acontecer (você ouviu em primeira mão aqui). É claro que ninguém mais deve estar lendo até aqui e que o vinho que tomamos no almoço inspirou algumas das palavras que acabam de ler, mas para voltar à seriedade é importante registrar que o artigo sobre nossa relação com a tradição (ou a percepção de sua ausência) foi publicado pela Mortise and Tenon Magazine, algo que nos alegra bastante (apesar da dura autocrítica). Não poderíamos deixar de agradecer ao Joshua e ao Mike (e doadores) pela bolsa que recebemos para realizar essa investigação e escrever o ensaio, além de todos que contribuíram com doações, apoio, conversas e fazendo os cursos. Sem essa rede nada disso poderia acontecer. O segundo semestre de 2025 deve seguir com muitas colaborações, em especial com a Forjaria Escola. Teremos novamente o Caixa e Cravos, um curso rápido sobre como forjar cravos para depois montar uma caixa de ferramentas. Um ou dois baús (um simples, com seis tábuas e outro mais elaborado, com ferragens também forjadas). E um banco de tanoeiro e um torno de pedal, si Dios quiere…

Categorias
Educação

Agenda de cursos do segundo semestre de 2024

Em breve o ano acaba, mas antes disso ainda dá tempo de fazer um monte de coisa. Se quiser minha companhia, veja por onde devo estar.

Setembro. O último curso do ano de construção de plainas ficou para os dias 7 e 8/9, no ateliê do Brooklin. A carga horária é de 16 horas de muita diversão usando plainas, serrote, grosas, limas, raspilha e furadeira. Essa é inclusive a lista de ferramentas que pode trazer para usar, mas caso não as tenha eu empresto (e você experimenta usar ferramentas boas e bem ajustadas). O valor da inscrição é R$1.300. Para garantir seu lugar é só mandar uma mensagem. E caso prefira fazer o curso no seu ritmo e em sua oficina, o curso online segue disponível em https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/construcaodeplainas/G54624192K

Nos dias 14 e 15/9 estarei no Sesc São José dos Campos com um curso de inspiração Shaker. Juntos vamos fazer um pequeno armário, todo de Pinus spp. e pregado com pregos históricos (cortados e em cunha, não de arame), buscando entender que o que faz algo ter presença e qualidade é o trabalho, o cuidado e a intenção. Para conferir esse projeto você pode clicar aqui. As inscrições são por conta do Sesc, acompanhe a divulgação do curso nos canais deles (revistinha, site, Instagram).

Em 21 e 22/9 retorno ao Sesc São José para um curso sobre Acabamentos Históricos, no qual vamos discutir os prós, contras e formas de aplicação das ceras, dos óleos e da goma laca. Inscrições diretamente com o Sesc.

Outubro. O curso comigo e o Hernán sobre as plainas tradicionais já está com vagas esgotadas (ele vai trazer dois cantis como esse da foto para vender e um já é meu, viva!) mas ainda há cursos com vagas disponíveis. Só que não posso falar muito ainda sobre esses cursos. Apenas que vão acontecer em uma unidade do Sesc próxima da sua casa (ou não). O que sim, posso afirmar, é que um desses cursos vai tratar da construção de uma bancada estilo Nicholson (referências aqui, aqui e aqui). O outro vai ser uma orientação para que você possa remover os obstáculos técnicos que te impedem de realizar os projetos que deseja em madeira maciça. Poderemos abordar afiação, encaixes, acabamento, restauração de ferramentas, preparação da madeira com ferramentas manuais, etc. Um curso com um pouco de tudo, como a Mesbla…

Novembro. Os encaixes tradicionalmente mais empregados na marcenaria vêm com tudo. Levei para a Forjaria Escola a proposta que já fiz ano passado de examinar com atenção as características e diferentes modos de execução dos encaixes de meia madeira, caixa e espiga e rabo de andorinha através da construção de projetos independentes. Em 23 e 24/11 a proposta é aprender sobre a meia madeira fazendo um curtamão, esquadro de grandes dimensões que é tanto bonito quanto útil. Mais informações e inscrições direto no site da Forjaria Escola.

Dezembro. Não saia de férias antes de confiar que sua caixa possa se ajustar a qualquer espiga. Ou vice versa. James Krenov gostava de usar cavaletes na oficina que além de bonitos são muito práticos. Você pode ler sobre eles aqui. Nos dias 7 e 8/12 vamos fazer um desses cavaletes lá na Forjaria. Você leva a madeira para fazer o segundo e completar o par.

Janeiro. Comece o ano com uma caixa de ferramentas nova toda feita com rabos de andorinha. Para dar tempo de se recuperar dos excessos da ceia, jogamos o curso lá para o final do mês, em 25 e 26/1. Não costumo dar esses cursos com frequência, então cuidado para não perder o bonde. Inscrições direto com a Forjaria.

A sequência em 2025 promete. Devemos oferecer novamente o curso de construção de bancadas com o Matheus e o Rodrigo Silveira. Os cursos da banqueta alta, da cadeira e da poltrona estaqueada já estão no site da Forjaria (você já pode garantir sua vaga). Há uma possibilidade de curso de plaina no Sesc novamente. No ateliê é provável que aconteça apenas o de guilherme e do boquexim (corteché, corta-chefe, spokeshave, wastringue, bastrén, Schabhobel).

Fiquem ligados aqui e no Instagram para as novidades.

Categorias
Educação

Quer trabalhar conosco?

Peço desculpas pelo título chamativo, mas a pergunta é verdadeira. Já são quase 10 anos de Saber com as Mãos. A iniciativa que eu (Thiago) e Giulia Ciavatta fundamos com o intuito de estudar os fazeres tradicionais, valorizar as pessoas que se dedicam a esses fazeres e buscar difundi-los ante um público mais amplo amadureceu. Uma das facetas mais importantes desse trabalho, qual seja, a de discutir o lugar dos trabalhos ditos manuais na educação continua como uma preocupação central.

Hoje a Giulia, que trabalha em instituições de ensino desde os 18 anos, atua como coordenadora em uma escola e nessa condição acompanha de perto o trabalho de um grupo de professoras, propondo situações de formação diversas. Ainda que o contexto em que atue não seja diretamente relacionado com os fazeres, é o próprio fazer educacional o cerne de sua atuação, discutindo tanto as ferramentas das quais dispõem as professoras quanto os aspectos éticos e políticos desse trabalho. Pelo meu lado, também tenho buscado compartilhar o olhar que fomos conformando a partir dos ofícios e da relevância na atualidade de compenetrar-se dos gestos que transformam o mundo a partir de nossa criatividade, sensibilidade e inteligência material.

Estamos agora em um momento de articulação mais sistemática desses esforços, para dizê-lo de algum modo, de formação. Por isso gostaríamos de saber de pessoas interessadas em tanto se aprofundar nos fazeres da madeira (em específico) quanto em sua transmissão. Não há nenhuma vaga de estágio ou oportunidade de trabalho aberta agora, apenas nos parece importante começar a conhecer quem estaria disposto a contribuir com o Saber com as Mãos com sua própria experiência, estilo e esforço. 

Caso esse convite ressoe consigo, escreva para nós usando o email. Conte, por favor, um pouco de sua trajetória pessoal e profissional. Se já trabalha com madeira ou outro material, seria bacana se pudesse dizer que coisas gosta de fazer ou mesmo o que gostaria de aprender. Diga também se tem alguma experiência ensinando, especialmente crianças. Por fim, não deixe de mencionar se você se comunica em outros idiomas além do português, se possui algum talento especial escondido e também porquê gostaria de trabalhar conosco. Obrigado desde já pelo interesse no que fazemos e pela disponibilidade para entrar em contato.

Encerro com mais notícias. Giulia abriu um perfil novo sobre educação no Instagram. Eu estou de volta após o curso de plainas e a gravação do curso online nos Estados Unidos (ainda estou devendo o post contando tudo). Queria apresentar aqui a agenda completa do semestre mas alguns parceiros estão atrasando bastante a confirmação dos cursos, então pedimos para que continuem ligados no Instagram pois divulgamos tudo por lá. O que já está publicado e confirmadíssimo são os cursos na Forjaria Escola. A partir de novembro vou dar três cursos lá sobre os encaixes mais comuns na marcenaria (meia madeira, caixa e espiga, rabo de andorinha). Para cada encaixe há um projeto que serve de fio condutor e que você leva para casa no fim do curso. Além disso, continuo com o curso regular no ateliê, no qual você, criança ou adulto, é quem define o percurso, o tema a ser tratado e a duração. E o último curso de plainas do ano também já tem data: 7 e 8/9 no ateliê! Para mais informações é só entrar em contato. 

Categorias
Educação

Agenda de cursos 2024

Próximos cursos em 2024:

Curso Banqueta de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
23 e 24 de março

Uma introdução à construção de mobiliário de assento estaqueado, essa banqueta de três pernas aparece em The Anarchist’s Design Book (Revised Edition), de Christopher Schwarz, livro que já se transformou em um clássico. Vamos ver como afunilar e oitavar as pernas usando plainas, como furar o assento nos ângulos corretos, como fazer as travessas inferiores e como montar tudo para você levar para casa (ou para a oficina) uma bela banqueta. Mais importante ainda, você leva consigo conhecimentos para fazer outros móveis usando as mesmas técnicas e princípios.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/s%C3%A1b-23-e-24-03-curso-banqueta-de-madeira-thiago-endrigo

Construção de Plainas, na Oficina.cc, Belo Horizonte, Brasil
04 e 05 de maio
Uma das ferramentas mais importantes na marcenaria, a plaina tanto pode ser usada na preparação da madeira quanto para fazer encaixes e acabamentos. Tradicionalmente era feita pelo próprio artesão, que considerava o uso que lhe seria dado e a dotava muitas vezes de características pessoas. Um ferreiro-forjador normalmente fornecia a lâmina, situação que também vamos experimentar no curso.

Mais informações: https://oficina.cc/curso/construcao-de-plainas-28-e-29-de-janeiro/

Curso Cadeira de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
24, 25 e 26 de maio
Essa cadeira também é um projeto do Christopher Schwarz publicado em The Anarchist’s Design Book.  Além de belas fotos, o livro apresenta algumas pranchas gravadas por Briony Morrow-Cribbs, uma preciosidade que fizemos questão de destacar. Igualmente digna de destaque é a perspectiva sob a qual o livro foi escrito, ressaltando a potência da criatividade e do trabalho humano diante das armadilhas do consumismo e da preguiça mental. O texto defende com acidez e humor que podemos criar muitas das coisas, materiais ou imateriais, que necessitamos.

Como essa cadeira, inspirada em uma tradição vernacular na qual o mobiliário costuma ser produzido com os recursos à mão e por quem mesmo deverá utilizá-lo. Se nunca se arriscou na construção de um móvel mais complexo como uma cadeira esse curso pode ser para você. Se apenas quer uma cadeira bonita, feita por você, também.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/sex-23-24-e-25-05-curso-cadeira-de-madeira-thiago-endrigo-24-horas

Wooden Plane Making, The Woodworking School At Pine Croft, Kentucky, Estados Unidos
21, 22 e 23 de junho

Make your own Krenov-style wooden plane, the Brazilian way! In the words of James Krenov, the hand plane is the cabinetmaker’s violin. Much easier to handle than a violin, the plane sure has its mysteries and magical properties. Very useful in a wood shop for various processes, including making boards and panels flat and square, jointing boards for glue-up, adjusting joinery and even finishing, the plane offers an efficient and intimate connection to our favorite material. Building your own plane out of wood is within reach for everybody. In this class, we’re going to go over all the aspects of what makes a plane work well, from construction to setup and sharpening to how to deal with difficult grain. In the end, you will leave with a plane made by yourself to fit your hands and taste. And with enough knowledge to make many more. Special Brazilian woods like Jatoba and Imbuia will be provided for you to choose from.

Mais informações: https://pinecroftwoodschool.com/plane-building-thiago-endrigo/

Curso Poltrona de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
3 de julho, 01, 02, 03 e 04 de agosto

Diferente de outros tipos de mobiliário, normalmente feitos para conter coisas, uma cadeira oferece contenção a uma pessoa. É assim que Christopher Schwarz abre o seu The Stick Chair Book, publicado pela Lost Art Press e que pode ser adquirido em formato físico ou baixado gratuitamente em pdf aqui.

A poltrona (uma cadeira com braços) que nos propomos a fazer no curso pertence à tradição dos móveis estaqueados, devido às suas principais junções e à sua origem popular, sendo muitas vezes construída por marceneiros amadores. Entre as formas possíveis de classificar as cadeiras, um dos critérios diz respeito à estrutura do assento, sólido nesse caso e responsável por estruturar toda a peça. Outro critério interessante tem a ver com os processos de produção: enquanto algumas poderiam ser consideradas “de marceneiro” e outras “de cadeireiro”, a poltrona que vamos produzir pertence a um entre mundos, sendo tradicional, simples e produzida com muitas ferramentas às quais já estamos acostumados. Se quiser ouvir o próprio Schwarz falando sobre isso, assista: Bench Talk 101 Chris Schwarz “Chairmaking for flat woodworkers”

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/qua-31-de-julho-%C3%A0-dom-04-de-agosto-curso-poltrona-de-madeira-thiago-endrigo-40-horas

Curso: Garlopim com Hernán Costa (ARG), na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
16, 17, 18, 19 e 20 de outubro

O garlopim é uma plaina coringa. Como o nome indica, é aparentado à garlopa, mas menor que esta, tendo comprimento equivalente a uma plaina número 5 ou 6 de metal. Seu uso depende tanto de nossa intenção quanto de como preparamos a ferramenta: com uma boca mais aberta e um ferro (lâmina) afiado com curvatura acentuada, pode ser a primeira plaina a tocar a madeira, realizando o desbaste mais inicial; com a boca mais fechada e contraferro ajustado bem próximo ao fio pode ser a última plaina a ver a madeira, deixando um acabamento tinindo de lindo. 

Para construir o garlopim que você vai levar para casa nós vamos abordar técnicas mais tradicionais como o uso de furadeira e formão para escavar a garganta da plaina, o uso dos formões com precisão, diversas técnicas de aplainamento, além de confeccionar um cabo esculpido para cair bem na sua mão (com junção de caixa e espiga no cepo) e a cunha. Com os conhecimentos que adquire fazendo esse garlopim, além de se aperfeiçoar no trabalho com a madeira macica, você será capaz de produzir outras plainas, sejam menores como uma plaina de afagar ou maiores como uma garlopa.
Por seu notório saber e também para ampliar as redes de cooperação sul-americanas, recebemos com enorme satisfação o artesão argentino Hernán Costa para ministrar o curso em conjunto conosco. Português e espanhol, portanto, serão as línguas oficiais do encontro, uma perspectiva que nos aproxima e que amplia nossos horizontes no ofício.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/qua-16-10-%C3%A0-dom-20-10-curso-garlopim-thiago-endrigo-e-hern%C3%A1n-costa-40hs


Categorias
Diário de Viagem Educação

Poltrona Estaqueada

Em agosto de 2023 tivemos a oportunidade de participar do curso “Stick Chair” Na Lost Art Press com Chris Schwarz. Foi uma oportunidade incrível que compartilhamos um pouco nesta live no nosso canal no Youtube:

Após fazer o curso com o Chris, me parecia natural que o primeiro curso aqui sobre esses móveis estaqueados acontecesse na Oficina Damata do Thiago, de forma que também fosse possível aprender com sua experiência e pesquisa. Decidimos ensinar essa poltrona da foto, presente no livro The Anarchist’s Design Book. São poucas vagas e cada um sai com uma poltrona dessas para levar para casa. Nos dias 11, 12, 13, 14 e 15 de em Goiânia/GO. Mais informações e inscrições: clique aqui.

Há uma bolsa disponível para esse curso. Se por alguma razão você gostaria de participar mas não tem como, mande um e-mail para sabercomasmaos@gmail.com contando qual é o impedimento, por que gostaria de fazer o curso e qual é sua experiência com marcenaria.

Aproveitando a passagem por Goiânia, também ministrarei o Curso de Plainas nos dias 09 e 10 de dezembro. Não perca a oportunidade! Mais informações: clique aqui.

Fotos tiradas por Thiago Endrigo. Todos os direitos reservados.

Categorias
Educação

Marcenaria na escola

Nessa semana acabou o semestre lá na escola. É difícil escolher alguns projetos para mostrar aqui, acompanhamos mais de 30 alunos entre 7 e 12 anos em seus percursos técnicos e estéticos. Cada um inventa o que quer fazer, depois aprende a lidar com as consequências: como tirar uma ideia da cabeça e fazer surgir diante de si algo real, concreto, útil e bonito, sustentando o processo em seus devires terrenos e mágicos. Nós acompanhamos compartilhando um pouco da nossa experiência, ensinando as técnicas de medir, marcar, serrar, aplainar ou furar a madeira e trocando ideias sobre o rumo que tudo vai tomando. Planejar aulas assim não é trivial, mas vale a pena. Ultimamente vemos muitas propostas educacionais ditas “mão na massa”, com um acento forte na “inovação”. Mas o que é o novo? Sabemos acolher o novo advindo da inspiração e do trabalho ou nos contentamos apenas com o consumo e o que, no fundo, é a reprodução do mesmo? Tratado como um valor, o “novo” muitas vezes tampona a tradição, descarta o que é antigo e nos empurra a levar felizes para casa o que veio no dernier bateau de Paris (para usar uma velha expressão) abandonando no caminho a possibilidade da crítica. Para fazer coisas que não existiam antes, nossos pequenos marceneiros aprenderam técnicas tradicionais e usaram ferramentas às vezes centenárias, passadas de mão em mão por pessoas que criaram famílias empregando-as, transformando algo natural em cultura. A própria madeira que mais usamos precisou crescer por mais tempo do que o que meus aluninhos têm de vida antes de ser cortada. Acredito que tudo isso ensina.

A caixinha das fotos foi feita por um aluno alemão como presente de Natal para seu irmão que coleciona canetas. Tem um pouquinho de marchetaria na tampa, a primeira coisa que aprendi a fazer com madeira. Acho que apresenta bem a materialidade, o gesto e o fazer, o fundamento de nossos esforços. Em tempo, para saber mais sobre as aulas de marcenaria que damos desde 2017 na Graded deixo aqui o link para uma sensível matéria escrita por Andrea Wunderlich. As fotos da caixinha são do Felipe Cressoni, meu parceiro de “controlled chaos”.

*esse texto foi escrito em dezembro de 2022

Categorias
Educação

Agenda de cursos livres no ateliê do Brooklin no finzinho de 2023

O título quase fica maior que o post, mas o ano ainda não acabou (ainda há lenha para queimar), então vamos lá.

Aulas regulares. Desde 2017 dou aulas no ateliê do Brooklin, em São Paulo. A proposta continua a mesma: partimos dos interesses de cada um enquanto eu acompanho o percurso estético e técnico que estão fazendo. Vale tudo, desde que eu tenha condições de acompanhar. Isso quer dizer que o tempo de permanência no ateliê é variável, tem gente que toma uma ou duas aulas, tem gente que frequenta o espaço por mais tempo. O foco é sempre o trabalho com as ferramentas manuais e o emprego das técnicas tradicionais. Não há pré-requisito, iniciantes ou alunos mais avançados têm vindo, adultos e crianças também. A aquisição de ferramentas é intensamente aconselhada, mas o que tenho fica disponível para que os alunos experimentem. Os materiais são por conta dos alunos. O valor de cada encontro de 2 horas é R$250. Atualmente estou com dois horários disponíveis, entre em contato se tiver interesse.

Graminho. Sábado, 21/10, das 9h às 18h. R$500. Usado para marcar linhas paralelas. Ferramenta simples, frequentemente era construída pelas pelas marceneiras ou marceneiros. Vamos usar imbuia do meu estoque pessoal (que está no fim). Além de levar o graminho você leva uma aula de técnicas de formão (algo quase que mais valioso que o graminho).

Shaker Fest! (Ou Os Shakers e seus artefatos de madeira)

A United Society of Believers in Christ’s Second Appearing, ou como eram chamados pelo mundo, os “Shakers”, são uma comunidade religiosa originada na Inglaterra do século XVIII e radicada nos EUA que ficou conhecida não só por suas práticas e crenças mas também pelos artefatos que produziram. Viviam de modo igualitário, para “rezar e trabalhar”,  tendo deixado um legado impressionante de edificações, móveis, utensílios, têxteis e inovações. Seu cuidado com as proporções e simplicidade de forma, carente de ornamentos supérfluos, influenciou amplamente boa parte do mobiliário produzido no século XX. Para compor a programação de cursos para esse fim de ano, nos propomos examinar alguns desses artefatos, buscando evidenciar seu primor estético e a forma como estão entrelaçados com as concepções de mundo, vida e fé que carregam.

Banquinho. Sábado, 4/11 e domingo 5/11, das 9h às 18h. R$900. Uma lição de proporções e excelente prática de encaixes comuns na marcenaria tradicional. Vamos partir de uma tábua para fazer os cortes e em seguida aplainar as peças que compõem o banquinho. Boas práticas de como se prepara a madeira e como realizamos encaixes serão discutidas. Havendo tempo veremos como fazer e aplicar a tinta de leite (milk paint). Curso para todos os níveis, desde iniciantes até pessoas com mais experiência.

Armarinho. Sábado, 25/11 e domingo, 26/11, das 9h às 18h. R$980. Uma pequena caixa com uma porta, o trabalho do marceneiro em resumo. Além de construir o projeto com ferramentas manuais, vamos tratar de entender porque antigamente os pregos valiam a pena ser usados. Havendo tempo veremos como fazer e aplicar a tinta de leite (milk paint). Curso para todos os níveis, desde iniciantes até pessoas com mais experiência.

Bandeja. Sábado, 2/12 e domingo, 3/12, das 9h às 18h. R$1.100. Vamos seguir o projeto do Christopher Schwarz que saiu na revista Popular Woodworking de Outubro de 2007 (silverware tray). É uma excelente maneira de aprender a confeccionar o encaixe de rabo de andorinha (tanto que a Megan Fitzpatrick) dá esse curso até hoje.

E para 2024 temos algumas novidades. Alguns cursos serão repetidos, como os dos encaixes de meia madeira e caixa e espiga. Plaina e guilherme não couberam na agenda, mas você pode fazer essas ferramentas como aluno regular do ateliê (em seu próprio ritmo, então consigo acomodar iniciantes). Além disso teremos cadeiras! E um cavalete para serrar madeira (o próprio curso é para aprender a serrar), um baú pequeno (o boarded chest do Anarchist’s Design Book), um banco alto de 3 pés (ainda estou na dúvida entre Frid e Schwarz) e caixinhas ovais Shaker. Acompanhem!