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A Linguagem da Madeira

O Saber com as Mãos nasceu do meu encontro com o Thiago e do encontro dele comigo. Nossos caminhos se cruzaram e também nossos conhecimentos e partilhas sobre o mundo. Apesar das nossas discussões, ideias e reflexões contribuírem muito para o que acontece tanto aqui no Saber com as Mãos em si, quanto nas nossas vidas profissionais individuais e nos espaços que a gente habita como indivíduos, nós nunca havíamos dado uma oficina juntos.

Em julho de 2025 tivemos essa oportunidade no Sesc Santana. Para mim, Giulia, pude aprender mais sobre a madeira e sobre a marcenaria na prática. Aprendo muito com o Thiago e vejo ele se relacionando com esse conhecimento há muito tempo. Mas é bem diferente quando a gente tem a oportunidade de vivenciar, manusear e se colocar em relação com a materialidade, nesse caso a madeira.

Mas, agora, faço uma reflexão de que essa oportunidade foi mais do que poder entender mais sobre a madeira. Foi uma oportunidade de me colocar em relação com as crianças de uma forma diferente. Por meio da madeira, das suas características e da proposta que estava em voga naquele dia, eu pude conhecer mais sobre o que as crianças pensam e fazem quando estão explorando a madeira. Quais os gestos elas usam? Quais perguntas elas se fazem? Quais ações as interessam mais? Como reagem quando a madeira responde aos seus gestos, olhares, e sensações?

Esse olhar, essa curiosidade sobre como e o quê as crianças pensam eu aprendi estudando e vivenciando a Abordagem Reggio Emilia. Mais do que uma abordagem, é uma experiência educativa que acontece todos os dias nas escolas de educação infantil da rede pública de ensino dessa cidade italiana. Uma realidade que está há muitos quilômetros de distância da nossa, mas que inspira e nos ensina sobre valores democráticos e de resistência em tempos que assombram as possibilidades da imaginação, criação e pensamento crítico na sociedade e na escola.

A partir dessa experiência no Sesc Santana, fomos tecendo alguns pontos e conexões importante sobre o trabalho do Saber com as Mãos com as crianças e os modos como a Abordagem Reggio Emilia entende a educação, a importância das materialidades, dos projetos e da pesquisa.

Dessas tessituras nasceu um desejo de compartilhar muito do que andamos pesquisando e estudando sobre isso, apresentando possibilidades de trabalho e de entendimento sobre a madeira e as crianças. E assim, nasceu a Aula Online: A Linguagem da Madeira.

Eu e Thiago pensamos em abordar no período de três horas conceitos como ateliê, projetação e aprendizagem na Abordagem Reggio Emilia; as propriedades e características da madeira; explorar e discutir possibilidades de trabalho com a madeira com as crianças e ainda uma prática de exploração com alguns materiais sugeridos previamente.

A ideia é que professores, atelieristas, educadores, artistas, arte-educadores e demais interessados em levar a madeira para a sala de aula possam se aproximar desse material e refletir sobre suas possibilidades, sentindo-se mais confiantes e seguros para levar a madeira como material de exploração, investigação e pesquisa.

Se você se interessou ou tem alguma dúvida, nos escreva aqui nos comentários ou no Instagram: @giuliaciavatta_ ou @sabercomasmaos

Mais informações:
Aula online: A Linguagem da Madeira com Saber com as Mãos 
Giulia Ciavatta & Thiago Endrigo

Data: 31/01/2026
Horário: 9h às 12h

Valores (escolha qual mais se adequa para você):
R$90 – valor mínimo
R$140 – valor justo
R$200 – valor ideal

Inscrições: https://forms.gle/PtHZ9HGMbvuEGwJu9

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Agenda de 2026 (até agora)

Ainda há muita indefinição, com vários compromissos acordados mas não completamente confirmados. Isso é o que temos até agora.

Janeiro. Fortaleza (CE). Marcenaria Selvagem. Cadeira Anarquista (a cadeira que o Christopher Schwarz desenhou para seu Anarchist’s Design Book), uma excelente introdução aos móveis estaqueados. Dias 16, 17, 18/1. Inscrições com o Emanuel através de mensagem no Instagram. R$2.800.

Fevereiro. São Paulo (SP). Há uma série de atividades previstas em torno dos Shakers, com uma palestra sobre aspectos de sua história e cursos sobre a construção de uma cadeira de balanço e uma vassourinha de mão. Ainda aguardo a confirmação do Sesc, acompanhe nosso Instagram para ficar por dentro!

Março. São Paulo (SP). Mais Shakers! E mais informações que ainda não posso divulgar e vou ficar devendo, mas há uma boa chance de repetirmos o curso sobre o banquinho. Em um Sesc.

Na Forjaria Escola teremos o Caixa e Cravos mais uma vez! É um curso que adoro dar, de manhã forjamos pregos que usamos à tarde para montar uma caixa de ferramentas inspirada nas tradicionais caixas japonesas. Desta vez me acompanhará na instrução El Rey del Cuchillo Vikingo, Felipe Cressoni. Dia 7/3, R$760.

Abril. São Paulo (SP). Banqueta Anarquista na Forjaria Escola. Outro projeto do Anarchist’s Design Book (Schwarz), outra bela introdução a um modo acessível de construir móveis resistentes e bonitos. É diferente da cadeira pois tem só 3 pernas, fazemos as espigas cilíndricas e instalamos travessas nas pernas, o que deixa o curso interessante. Dias 11 e 12/4, R$1.800.

Há espaço na agenda para uma viagem. Mais indefinição e mistério…

Maio. São Paulo (SP). Cadeira Anarquista na Forjaria Escola. Descrição do curso no site da Forjaria. As inscrições são por lá também, é possível parcelar o pagamento e há bolsa disponível para todos os meus cursos na Forjaria. No momento em que escrevo essas linhas restam apenas 2 vagas para esse curso.

Junho. Em aberto… Uma possibilidade é promover o curso de construção de garlopa (com o convidado especial de honra, Hernán Costa), outra é tentar oferecer novamente o curso da poltrona estaqueada (stick chair). Ambos tiveram que ser cancelados em 2025 por inscrições minguadas, o que sempre é delicado para quem vive mês a mês (não, a vida de artesão e professor não é tão glamorosa quanto parece). Se tiver interesse em algum desses cursos me dê um alô. Também estou devendo um curso de baú de ferramentas. E outro sobre objetos cênicos de filmes que gosto. Enfim, sou todo ouvidos…

Julho. Carolina do Norte, EUA. Curso de construção de plainas na John C. Campbell Folk School. Um dos meus lugares preferidos no mundo. Conheci a escola em 2023, quando tive a sorte de ganhar uma bolsa para um curso de tanoaria com Rick Stewart (neto do Alex Stewart). Depois do curso o pessoal da escola me pediu para contar um pouco sobre essa experiência (ver imagem abaixo). Bolsas são comuns por lá, assim como em outras Folk Schools e escolas de ofícios, vale a pena tentar. Agora me convidaram para dar o curso de plainas, uma alegria! De 12 a 18/7, $870.

Colorado, EUA. Vou repetir o curso de plainas na oficina do Robbie O’Brien. Foi onde gravei o curso online em inglês, disponível pela Lutherie Academy. Como o público tende a ser um pouco mais específico por lá, formado por pessoas que se dedicam à luteria, nós vamos fazer o curso em 3 dias, com a possibilidade de construir uma plaina e um corteché (ferramentas feitas artesanalmente são tão legais quanto instrumentos feitos artesanalmente).

Paralelamente, ainda tento organizar minhas pesquisas e produção (há anos tento…), continuo com as aulas nas escolas três dias por semana e no ateliê, em dois dias. Eu e a Giulia estamos organizando uma aula online sobre o olhar que fui constituindo para o trabalho de marcenaria com crianças em diálogo com a perspectiva pedagógica originada em Reggio Emilia, mas isso e os demais desafios previstos para o ano são assunto de outro post, porque mistério sempre há de pintar por aí.

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Volta às aulas, a cidade e as crianças

Amanhã as aulas retornam, começa o ano letivo. Para mim, que sou mãe e educadora, confesso que é um sentimento um tanto ambíguo. Primeiro, porque isso significa que as minhas férias acabaram também e volto a trabalhar. Além disso, encarar o começo de ano na escola é como encarar a arrebentação no mar. É preciso enfrentar ondas fortes e altas, constantes. Quando você está se recuperando de uma, logo vem outra, e outra e outra… até que finalmente você atravessa e dá de cara com a infinitude do mar tranquilo. Algumas ondas mais fortes podem vir, tormentas até, mas com um espaço de tempo um tanto maior. 

É assim que me sinto, sendo coordenadora pedagógica no começo do ano. As ondas, ou as demandas, surgem uma atrás da outra e é preciso dar conta de muito em pouco tempo. Acolher famílias, crianças e professores enquanto eu também tento me equilibrar; estar atenta e forte; é um desafio grande. Mas ano após ano vou sentindo que vou conhecendo um pouco mais desse mar… a textura da areia nos pés, reconhecer quando a onda que se aproxima talvez me derrube, antecipar o caldo, pegar jacaré ou mergulhar profundo quando não é possível enfrentar de peito aberto, ouvir o vento e a temperatura da água. Cada vez mais vou aprendendo a navegar nessas águas. Mas o frio na barriga é sempre o mesmo. Sair debaixo do meu guarda-sol, levantar e enfrentar a arrebentação é necessário coragem e disposição. Por isso, o sentimento ambíguo e a vontade de esticar um tantinho mais essas férias.

Mas, eu também sou mãe, e anseio o retorno pro mar! Rosinha já está crescida, com cinco anos, e mais do que nunca, sentiu muitas saudades das escolas nessas férias. Ela é filha única, e vi o quanto ela desejava brincar e estar com outras crianças no tempo afastado da escola tão querida. Além de demandar bastante nossa companhia para brincar, cada vez que íamos a um parque, praça, ou museu, ela perguntava: mas vai ter crianças? Como é importante esse espaço da escola, do coletivo, do parque, do encontro, do livre brincar. Fico pensando como deve ter sido difícil pras crianças que tinham a idade da Rosa hoje, lá atrás, na pandemia… e fico me imaginando mãe dessas crianças que ficaram isoladas em casa. Bom, os impactos disso eu vejo como educadora, mas não tive essa experiência como mãe. Rosinha tinha cinco meses quando começou o lockdown, e nossa experiência foi diferente.

Essa saudade toda da escola, essa busca incessante da minha filha pelo encontro com seus pares, me faz refletir muito sobre os espaços disponíveis nas cidades para que isso aconteça. Mais de uma vez fomos a pracinha mais perto de casa que tem parquinho, e encontramos a praça esvaziada… não quero ser injusta, já fomos lá outras vezes e já encontramos a praça bem mais povoada, principalmente em dias de sol e finais de semana. Mas, fora essa praça, que até tem um espaço bacana, cuidado e mantido pelos moradores, pras crianças brincarem, tenho muita dificuldade de pensar em outros espaços de brincar livre para levar a Rosa. Existem os SESCs, é verdade, com espaços de brincar muito legais, mas geralmente com horários mais restritos e distribuição de senhas ou marcação de horário. E como tenho essa mania de pensar como tudo pode ser diferente, fico sonhando com parques bem legais, ao ar livre, com desafios motores (subir, pendurar, escalar, balançar, escorregar) para crianças grandes também (muitos espaços de brincar no SESC são destinados para as crianças menores).

Muitas vezes, nessa busca de lugares para ir com a Rosa, acabo me deparando com muitas opções pagas, plastificadas, prontas, acabadas, com muito barulho e pirotecnia para as crianças. Onde tem de tudo, menos chance delas poderem brincar livremente, inventar brincadeiras, se relacionar com outras crianças (aliás, outro tópico importante mas que não vou me aprofundar é: como os adultos ficam em cima das crianças o tempo todo, impedindo que elas possam resolver conflitos, inventar modos de descer, subir, se arriscar nas praças e parques). Sinto falta de espaços de encontro de fato. Onde adultos e crianças possam usufruir de espaços e materiais de qualidade, se encontrar, se relacionar, conviver.

Conviver: “viver em proximidade, compartilhar do mesmo espaço, coexistir”. Tivemos uma experiência nessas férias muito próxima ao conviver.

Passamos 14 dias em Buenos Aires. Thiago deu dois cursos de cadeira no ateliê do Hernán Costa, em Villa Urquiza (em breve faremos um post). Nos dias em que ele estava dando curso, eu e Rosinha exploramos a cidade. Alguns dias em companhia de amigos queridos com filhos pequenos também, e em outros sozinhas mesmo. Mas não tinha dúvida do que fazer: ir para a pracinha. Em qualquer bairro que estivéssemos, era só abrir o Google Maps e localizar uma praça que tivesse Patio de Juegos. Na maioria das vezes, o que encontrávamos era uma praça amigável e um parquinho muito legal, que dava espaço para as crianças inventarem muitas brincadeiras. Além disso, principalmente no fim da tarde, quando o sol quente já tinha baixado um tanto, as praças se enchiam. Adultos e jovens fazendo todo tipo de esporte: basquete, futebol, yoga, dança, patins, bicicleta, ping pong… encontros de casais, amigos, famílias, vendedores de bolas, picolés, bolhas de sabão, músicos, além de uma assembleia de bairro e um ensaio de bloco de carnaval. Muita vida!

Isso me deu um sentimento de pertencimento, de comunidade, de convivência, que nutrem a vida na cidade. E que sinto tanta falta aqui em São Paulo. Talvez eu esteja morando no bairro errado, mas acredito que muitas pessoas também sintam o mesmo que eu… mas voltando às praças de Buenos Aires, recentemente houve um investimento grande do governo da cidade para renovar esses espaços, e hoje são mais de 40 distribuídos nas 15 comunas. Os parquinhos são temáticos e além de bonitos, são realmente pensados para as crianças terem brincadeiras de qualidade. São feitos pela empresa Cruci Juegos e a qualidade é bem bacana também. Parquinhos feitos pra durar. E como sonhar não custa nada, sonho com um grande projeto aqui em São Paulo, que olhe pras crianças e para os espaços públicos de brincar: parques, praças, brinquedotecas públicas, escolas… espaços acessíveis para todos, bem cuidados, pensados, planejados que valorizem a infância e o brincar.

Pra finalizar e também combater a ideia de que pra brincar a gente precisa de espaços esteticamente fofos e bonitos, deixo aqui alguns projetos que usam bem pouco, mas que promovem um brincar de excelente qualidade:

O primeiro é um vídeo produzido pelo maravilhoso e brasileiro Território do Brincar, sobre o The Yard um parque de brincar livre em Nova York que foge da ideia do parquinho, arrumado e planejado, mas que mostra pra gente que pra brincar com qualidade, basta que os adultos organizem, pensem, e cuidem dos espaços, além de promover a utilização deles pelas famílias e crianças. O segundo é outro vídeo do Instituto Alana sobre os parques naturalizados. 

Esses dois projetos dialogam muito com o livro Terreno Baldio do Jader Janer que li ano passado com o grupo do GEP, da Alice Proença. Jader recupera de suas memórias da infância um terreno baldio da vizinhança e as brincadeiras que surgiram dali, do entulho, do que ele chama de “desútil” e as “desimportâncias” desses momentos preciosos. 

Um parquinho belo e bem projetado, um parque de livre brincar, feio e desarrumado, ou um parque natural seja qual for o espaço, é preciso pensar, cuidar e viver esses espaços na cidade. Esses espaços renovam a esperança, a segurança e a saúde da cidade toda. Agora, me contem: aonde vocês tem ido com as crianças?

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Agenda de cursos do segundo semestre de 2024

Em breve o ano acaba, mas antes disso ainda dá tempo de fazer um monte de coisa. Se quiser minha companhia, veja por onde devo estar.

Setembro. O último curso do ano de construção de plainas ficou para os dias 7 e 8/9, no ateliê do Brooklin. A carga horária é de 16 horas de muita diversão usando plainas, serrote, grosas, limas, raspilha e furadeira. Essa é inclusive a lista de ferramentas que pode trazer para usar, mas caso não as tenha eu empresto (e você experimenta usar ferramentas boas e bem ajustadas). O valor da inscrição é R$1.300. Para garantir seu lugar é só mandar uma mensagem. E caso prefira fazer o curso no seu ritmo e em sua oficina, o curso online segue disponível em https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/construcaodeplainas/G54624192K

Nos dias 14 e 15/9 estarei no Sesc São José dos Campos com um curso de inspiração Shaker. Juntos vamos fazer um pequeno armário, todo de Pinus spp. e pregado com pregos históricos (cortados e em cunha, não de arame), buscando entender que o que faz algo ter presença e qualidade é o trabalho, o cuidado e a intenção. Para conferir esse projeto você pode clicar aqui. As inscrições são por conta do Sesc, acompanhe a divulgação do curso nos canais deles (revistinha, site, Instagram).

Em 21 e 22/9 retorno ao Sesc São José para um curso sobre Acabamentos Históricos, no qual vamos discutir os prós, contras e formas de aplicação das ceras, dos óleos e da goma laca. Inscrições diretamente com o Sesc.

Outubro. O curso comigo e o Hernán sobre as plainas tradicionais já está com vagas esgotadas (ele vai trazer dois cantis como esse da foto para vender e um já é meu, viva!) mas ainda há cursos com vagas disponíveis. Só que não posso falar muito ainda sobre esses cursos. Apenas que vão acontecer em uma unidade do Sesc próxima da sua casa (ou não). O que sim, posso afirmar, é que um desses cursos vai tratar da construção de uma bancada estilo Nicholson (referências aqui, aqui e aqui). O outro vai ser uma orientação para que você possa remover os obstáculos técnicos que te impedem de realizar os projetos que deseja em madeira maciça. Poderemos abordar afiação, encaixes, acabamento, restauração de ferramentas, preparação da madeira com ferramentas manuais, etc. Um curso com um pouco de tudo, como a Mesbla…

Novembro. Os encaixes tradicionalmente mais empregados na marcenaria vêm com tudo. Levei para a Forjaria Escola a proposta que já fiz ano passado de examinar com atenção as características e diferentes modos de execução dos encaixes de meia madeira, caixa e espiga e rabo de andorinha através da construção de projetos independentes. Em 23 e 24/11 a proposta é aprender sobre a meia madeira fazendo um curtamão, esquadro de grandes dimensões que é tanto bonito quanto útil. Mais informações e inscrições direto no site da Forjaria Escola.

Dezembro. Não saia de férias antes de confiar que sua caixa possa se ajustar a qualquer espiga. Ou vice versa. James Krenov gostava de usar cavaletes na oficina que além de bonitos são muito práticos. Você pode ler sobre eles aqui. Nos dias 7 e 8/12 vamos fazer um desses cavaletes lá na Forjaria. Você leva a madeira para fazer o segundo e completar o par.

Janeiro. Comece o ano com uma caixa de ferramentas nova toda feita com rabos de andorinha. Para dar tempo de se recuperar dos excessos da ceia, jogamos o curso lá para o final do mês, em 25 e 26/1. Não costumo dar esses cursos com frequência, então cuidado para não perder o bonde. Inscrições direto com a Forjaria.

A sequência em 2025 promete. Devemos oferecer novamente o curso de construção de bancadas com o Matheus e o Rodrigo Silveira. Os cursos da banqueta alta, da cadeira e da poltrona estaqueada já estão no site da Forjaria (você já pode garantir sua vaga). Há uma possibilidade de curso de plaina no Sesc novamente. No ateliê é provável que aconteça apenas o de guilherme e do boquexim (corteché, corta-chefe, spokeshave, wastringue, bastrén, Schabhobel).

Fiquem ligados aqui e no Instagram para as novidades.

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Agenda de cursos 2024

Próximos cursos em 2024:

Curso Banqueta de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
23 e 24 de março

Uma introdução à construção de mobiliário de assento estaqueado, essa banqueta de três pernas aparece em The Anarchist’s Design Book (Revised Edition), de Christopher Schwarz, livro que já se transformou em um clássico. Vamos ver como afunilar e oitavar as pernas usando plainas, como furar o assento nos ângulos corretos, como fazer as travessas inferiores e como montar tudo para você levar para casa (ou para a oficina) uma bela banqueta. Mais importante ainda, você leva consigo conhecimentos para fazer outros móveis usando as mesmas técnicas e princípios.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/s%C3%A1b-23-e-24-03-curso-banqueta-de-madeira-thiago-endrigo

Construção de Plainas, na Oficina.cc, Belo Horizonte, Brasil
04 e 05 de maio
Uma das ferramentas mais importantes na marcenaria, a plaina tanto pode ser usada na preparação da madeira quanto para fazer encaixes e acabamentos. Tradicionalmente era feita pelo próprio artesão, que considerava o uso que lhe seria dado e a dotava muitas vezes de características pessoas. Um ferreiro-forjador normalmente fornecia a lâmina, situação que também vamos experimentar no curso.

Mais informações: https://oficina.cc/curso/construcao-de-plainas-28-e-29-de-janeiro/

Curso Cadeira de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
24, 25 e 26 de maio
Essa cadeira também é um projeto do Christopher Schwarz publicado em The Anarchist’s Design Book.  Além de belas fotos, o livro apresenta algumas pranchas gravadas por Briony Morrow-Cribbs, uma preciosidade que fizemos questão de destacar. Igualmente digna de destaque é a perspectiva sob a qual o livro foi escrito, ressaltando a potência da criatividade e do trabalho humano diante das armadilhas do consumismo e da preguiça mental. O texto defende com acidez e humor que podemos criar muitas das coisas, materiais ou imateriais, que necessitamos.

Como essa cadeira, inspirada em uma tradição vernacular na qual o mobiliário costuma ser produzido com os recursos à mão e por quem mesmo deverá utilizá-lo. Se nunca se arriscou na construção de um móvel mais complexo como uma cadeira esse curso pode ser para você. Se apenas quer uma cadeira bonita, feita por você, também.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/sex-23-24-e-25-05-curso-cadeira-de-madeira-thiago-endrigo-24-horas

Wooden Plane Making, The Woodworking School At Pine Croft, Kentucky, Estados Unidos
21, 22 e 23 de junho

Make your own Krenov-style wooden plane, the Brazilian way! In the words of James Krenov, the hand plane is the cabinetmaker’s violin. Much easier to handle than a violin, the plane sure has its mysteries and magical properties. Very useful in a wood shop for various processes, including making boards and panels flat and square, jointing boards for glue-up, adjusting joinery and even finishing, the plane offers an efficient and intimate connection to our favorite material. Building your own plane out of wood is within reach for everybody. In this class, we’re going to go over all the aspects of what makes a plane work well, from construction to setup and sharpening to how to deal with difficult grain. In the end, you will leave with a plane made by yourself to fit your hands and taste. And with enough knowledge to make many more. Special Brazilian woods like Jatoba and Imbuia will be provided for you to choose from.

Mais informações: https://pinecroftwoodschool.com/plane-building-thiago-endrigo/

Curso Poltrona de Madeira, na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
3 de julho, 01, 02, 03 e 04 de agosto

Diferente de outros tipos de mobiliário, normalmente feitos para conter coisas, uma cadeira oferece contenção a uma pessoa. É assim que Christopher Schwarz abre o seu The Stick Chair Book, publicado pela Lost Art Press e que pode ser adquirido em formato físico ou baixado gratuitamente em pdf aqui.

A poltrona (uma cadeira com braços) que nos propomos a fazer no curso pertence à tradição dos móveis estaqueados, devido às suas principais junções e à sua origem popular, sendo muitas vezes construída por marceneiros amadores. Entre as formas possíveis de classificar as cadeiras, um dos critérios diz respeito à estrutura do assento, sólido nesse caso e responsável por estruturar toda a peça. Outro critério interessante tem a ver com os processos de produção: enquanto algumas poderiam ser consideradas “de marceneiro” e outras “de cadeireiro”, a poltrona que vamos produzir pertence a um entre mundos, sendo tradicional, simples e produzida com muitas ferramentas às quais já estamos acostumados. Se quiser ouvir o próprio Schwarz falando sobre isso, assista: Bench Talk 101 Chris Schwarz “Chairmaking for flat woodworkers”

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/qua-31-de-julho-%C3%A0-dom-04-de-agosto-curso-poltrona-de-madeira-thiago-endrigo-40-horas

Curso: Garlopim com Hernán Costa (ARG), na Forjaria Escola, São Paulo, Brasil
16, 17, 18, 19 e 20 de outubro

O garlopim é uma plaina coringa. Como o nome indica, é aparentado à garlopa, mas menor que esta, tendo comprimento equivalente a uma plaina número 5 ou 6 de metal. Seu uso depende tanto de nossa intenção quanto de como preparamos a ferramenta: com uma boca mais aberta e um ferro (lâmina) afiado com curvatura acentuada, pode ser a primeira plaina a tocar a madeira, realizando o desbaste mais inicial; com a boca mais fechada e contraferro ajustado bem próximo ao fio pode ser a última plaina a ver a madeira, deixando um acabamento tinindo de lindo. 

Para construir o garlopim que você vai levar para casa nós vamos abordar técnicas mais tradicionais como o uso de furadeira e formão para escavar a garganta da plaina, o uso dos formões com precisão, diversas técnicas de aplainamento, além de confeccionar um cabo esculpido para cair bem na sua mão (com junção de caixa e espiga no cepo) e a cunha. Com os conhecimentos que adquire fazendo esse garlopim, além de se aperfeiçoar no trabalho com a madeira macica, você será capaz de produzir outras plainas, sejam menores como uma plaina de afagar ou maiores como uma garlopa.
Por seu notório saber e também para ampliar as redes de cooperação sul-americanas, recebemos com enorme satisfação o artesão argentino Hernán Costa para ministrar o curso em conjunto conosco. Português e espanhol, portanto, serão as línguas oficiais do encontro, uma perspectiva que nos aproxima e que amplia nossos horizontes no ofício.

Mais informações: https://www.forjariaescola.com.br/product-page/qua-16-10-%C3%A0-dom-20-10-curso-garlopim-thiago-endrigo-e-hern%C3%A1n-costa-40hs


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Marcenaria na escola

Nessa semana acabou o semestre lá na escola. É difícil escolher alguns projetos para mostrar aqui, acompanhamos mais de 30 alunos entre 7 e 12 anos em seus percursos técnicos e estéticos. Cada um inventa o que quer fazer, depois aprende a lidar com as consequências: como tirar uma ideia da cabeça e fazer surgir diante de si algo real, concreto, útil e bonito, sustentando o processo em seus devires terrenos e mágicos. Nós acompanhamos compartilhando um pouco da nossa experiência, ensinando as técnicas de medir, marcar, serrar, aplainar ou furar a madeira e trocando ideias sobre o rumo que tudo vai tomando. Planejar aulas assim não é trivial, mas vale a pena. Ultimamente vemos muitas propostas educacionais ditas “mão na massa”, com um acento forte na “inovação”. Mas o que é o novo? Sabemos acolher o novo advindo da inspiração e do trabalho ou nos contentamos apenas com o consumo e o que, no fundo, é a reprodução do mesmo? Tratado como um valor, o “novo” muitas vezes tampona a tradição, descarta o que é antigo e nos empurra a levar felizes para casa o que veio no dernier bateau de Paris (para usar uma velha expressão) abandonando no caminho a possibilidade da crítica. Para fazer coisas que não existiam antes, nossos pequenos marceneiros aprenderam técnicas tradicionais e usaram ferramentas às vezes centenárias, passadas de mão em mão por pessoas que criaram famílias empregando-as, transformando algo natural em cultura. A própria madeira que mais usamos precisou crescer por mais tempo do que o que meus aluninhos têm de vida antes de ser cortada. Acredito que tudo isso ensina.

A caixinha das fotos foi feita por um aluno alemão como presente de Natal para seu irmão que coleciona canetas. Tem um pouquinho de marchetaria na tampa, a primeira coisa que aprendi a fazer com madeira. Acho que apresenta bem a materialidade, o gesto e o fazer, o fundamento de nossos esforços. Em tempo, para saber mais sobre as aulas de marcenaria que damos desde 2017 na Graded deixo aqui o link para uma sensível matéria escrita por Andrea Wunderlich. As fotos da caixinha são do Felipe Cressoni, meu parceiro de “controlled chaos”.

*esse texto foi escrito em dezembro de 2022

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Bordado para crianças

Há algum tempo, publicamos aqui um texto sobre Marcenaria para crianças, que fala muito do que está por trás das práticas que temos aqui no Saber com as Mãos e como vemos a importância delas para as crianças. Gosto muito desse texto, pois ele fala muito sobre os valores de qualquer trabalho manual, seja bordado, culinária, jardinagem, cerâmica, etc. Mas hoje eu decidi falar um pouquinho mais sobre o bordado.

Há cerca de um ano fui convidada a dar uma oficina de férias na escola onde eu trabalho para crianças de 6 a 10 anos. Queria muito trazer alguma arte têxtil e o crochê é a que eu mais estava familiarizada. Porém, para aprender o crochê é necessário bem mais do que um encontro, então recorri ao bordado. Pensei que seria uma atividade em que seria possível as crianças saírem do encontro com algo feito por elas. Eu e o Thiago, sempre discutimos bastante sobre isso. Gostamos de dar mais valor ao processo muito mais do que ao produto em nossas aulas, seja para adultos ou crianças, porém, para encontros rápidos de 1 ou 2 horas onde a intenção é mais um contato com aquele trabalho manual e despertar o interesse para isso, é super importante o sentimento de realização, o de “puxa, fui eu que fiz!”. Por isso, pensei no nome: bordando desenhos. Apresentei para as crianças a possibilidade de pensar o bordado como um desenho com linhas e agulhas. Cada um desenhou a lápis no algodão cru já no bastidor e foi bordando com o ponto reto e ponto atrás. A maioria saiu da oficina com o bordado pronto e o resto levou linha e agulha pra terminar em casa. Falei bastante pra eles que o bordado é uma atividade que a gente faz com calma e quando tem vontade, então quem se cansou no meio da oficina, não tinha problema, retoma quando estiver com vontade.

Em 2022, fui convidada novamente. Não seriam as mesmas crianças, mas mesmo assim, eu queria levar algo diferente. Pensei em diferentes suportes, talagarça, papelão e algodão cru com bastidor. Na noite anterior, tentando elaborar um caminho, eu não conseguia ficar satisfeita. Não sei exatamente o porquê. Mas acho que as crianças acabaram me mostraram o caminho que eu não consegui enxergar no meu planejamento. (e isso acontece com muita frequência no meu trabalho como professora e é uma das partes que mais amo).

Os meninos já chegaram dizendo que queriam fazer crochê. Não era a proposta, mas um deles já havia me pedido por aulas na escola há bastante tempo, e resolvi aceitar o desafio. Já fui explicando que aprender crochê em 1 hora não ia acontecer, mas que eu podia ir mostrando e fazendo com eles. Chegamos ao acordo de fazer uma bolinha. Um deles, pegou o desafio e ficou todo o tempo querendo fazer sozinho e se entender com as linhas. Os outros, queriam logo que ficasse pronto e assim fomos fazendo, um pouquinho eu e pouquinho eles. As bolinhas de concretizaram e eles bordaram carinhas nelas. Saíram felizes da vida.

As meninas escolheram desenhar no tecido e depois bordar. Uma paisagem e um gatinho nasceram. Um dos meninos mais novo, de 6 anos, fez um carrinho vermelho com ajuda de outra professora. Quando vi, nosso ateliê tinha se tornado um grande laboratório de experimentação e até aquarela e guache entraram na brincadeira. As professoras assistentes também gostaram da ideia e cada uma fez um bordado.

Ao final estava uma bagunça, cada um fazendo uma coisa, mas todos concentrados e determinados a terminar seu trabalho. Era aquela bagunça boa, um sentimento de experimentação e eu adorei o caminho que se estabeleceu. Não tem jeito, eu e o Thiago adoramos esse caminho. O foco é no processo e não no produto final.